19 de outubro de 2026
Em uma obra de saneamento, o canteiro raramente está em um só lugar. Enquanto uma equipe assenta tubulações sob uma avenida, outra executa ligações a alguns quilômetros dali e uma terceira recompõe o pavimento em outro local. Para quem responde pela Segurança do Trabalho, essa dispersão impõe uma pergunta diária: como garantir acompanhamento técnico qualificado em cada ponto, no momento certo?
A resposta está sendo aplicada nas obras executadas para a Sabesp: o Check-in/Check-out de Segurança, um sistema de gestão georreferenciada que registra a atuação dos técnicos de Segurança do Trabalho em campo e transforma essa rotina em informação para o planejamento das equipes.

Um canteiro que se espalha pela cidade
Os contratos de saneamento têm uma característica que os diferencia de grande parte das obras de edificação: são lineares e distribuídos. Redes coletoras, adutoras, ligações e intervenções viárias avançam por trechos que podem somar quilômetros, com várias frentes ativas ao mesmo tempo e em endereços diferentes.
Nesse cenário, os técnicos de Segurança do Trabalho circulam continuamente entre os pontos de atuação para inspecionar condições de escavação, sinalização, uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e o cumprimento dos procedimentos de cada atividade. Tradicionalmente, o registro dessa rotina dependia de pranchetas, planilhas e relatos, recursos sujeitos a perdas, rasuras e intempéries, e que entregam a informação de forma tardia e fragmentada.
Sem uma visão clara de onde e por quanto tempo cada profissional esteve em campo, torna-se mais difícil responder a questões essenciais para a gestão: a distribuição dos técnicos acompanha o nível de risco de cada frente? Os roteiros diários estão bem organizados? Há pontos recebendo menos atenção do que deveriam?

Como o sistema funciona em campo
O Check-in/Check-out de Segurança foi concebido para ser usado no celular, em condições reais de obra, sob sol ou chuva. O registro de chegada a uma frente segue cinco etapas simples:
- Seleção da obra e do profissional, a partir da lista oficial de colaboradores cadastrados;
- Escolha da frente de trabalho onde a atividade será acompanhada;
- Leitura do GPS do aparelho, que calcula a distância exata, em metros, entre o profissional e a frente selecionada;
- Foto obrigatória, capturada no momento do registro;
- Revisão e carimbo digital, com resumo que reúne foto, coordenadas e horário oficial do servidor, seguido da confirmação.
Na prática, a rotina fica assim: ao chegar a uma frente de implantação de rede, o técnico faz o check-in e inicia a inspeção. Ao concluir, registra o check-out e segue para o próximo ponto, onde repete o processo. A sequência desses registros forma uma linha do tempo do dia de trabalho, que permite acompanhar a localização dos técnicos, o tempo de permanência em cada frente e a duração dos deslocamentos entre os pontos de atuação.

Cerca eletrônica pensada para obras lineares
Um dos diferenciais técnicos do sistema é a cerca eletrônica (geofencing) com raio de 1.500 metros em torno de cada frente. A medida responde a uma particularidade da infraestrutura: frentes de saneamento e de intervenção viária ocupam faixas extensas, e um raio reduzido geraria bloqueios indevidos para quem está, de fato, trabalhando em uma das pontas do trecho.
A confiabilidade dos dados é reforçada por três mecanismos. O primeiro é a leitura direta do hardware de geolocalização do celular, sem qualquer opção de simulação de coordenadas. O segundo é o bloqueio automático: se o registro for tentado fora do raio da frente, o sistema informa a distância excedente e impede o envio. O terceiro é a trilha de auditoria: cada apontamento grava latitude, longitude e a distância calculada no instante do registro, permitindo verificações posteriores.
A foto obrigatória complementa esse conjunto. Além de confirmar a presença do profissional, a imagem registra a utilização de EPI no momento da marcação.

Do dado à decisão
Se o aplicativo é a porta de entrada das informações, é no painel de controle que elas ganham valor para a gestão. A plataforma oferece acompanhamento em tempo real dos registros de entrada e saída, com filtros por obra, frente de trabalho e data, o que permite isolar rapidamente a situação de um pacote de serviços ou de um turno específico.
O painel conta ainda com galeria de fotos com zoom, que possibilita verificar visualmente o uso de equipamentos como capacete, óculos e colete na frente indicada. O cadastro de frentes e colaboradores pode ser feito em massa, a partir de planilhas, e os dados podem ser exportados em formato CSV, compatível com Excel, para análises complementares.
Com essas informações organizadas, a equipe de gestão passa a enxergar padrões que antes ficavam dispersos. Frentes que demandam permanência maior dos técnicos podem indicar atividades mais complexas ou de maior criticidade. Deslocamentos longos e recorrentes ajudam a repensar roteiros e a distribuição dos profissionais por região. Pontos com menor frequência de visitas sinalizam onde o acompanhamento precisa ser reforçado.
O foco, portanto, não está em vigiar profissionais, e sim em dar visibilidade à operação de segurança como um todo. Os dados apoiam o planejamento das equipes, a priorização das frentes de maior risco e a própria segurança dos técnicos durante os deslocamentos, já que a gestão sabe onde cada um iniciou e encerrou sua atuação ao longo do dia.

Inovação a serviço da melhoria contínua
No Dia da Inovação, a iniciativa reforça uma convicção que orienta a AF SW Engenharia: inovar é aplicar a tecnologia para resolver problemas concretos da engenharia. Em obras com múltiplas frentes de trabalho, saber onde a equipe de segurança está, quanto tempo dedica a cada ponto e como se desloca entre eles é uma base sólida para decisões mais bem fundamentadas.
Ao unir geolocalização, evidência fotográfica e informação em tempo real, o Check-in/Check-out de Segurança contribui para uma gestão mais transparente, para um planejamento mais eficiente e para um acompanhamento mais próximo das frentes de serviço. É a inovação colocada a serviço daquilo que vem em primeiro lugar em qualquer obra: a segurança das pessoas, em um processo permanente de melhoria contínua.


